sábado, 1 de outubro de 2011

Como forjar uma fala emotiva


Em outras épocas, os políticos se destacavam mais na arte de fingir aquilo que não sentiam. Os discursos eram bem elaborados e quando combinados com uma encenação impecável, davam a impressão de que o orador realmente estava tomado pela emoção. De uns tempos pra cá, porém, essa técnica foi praticamente esquecida. Cedeu lugar para um improviso pouco convicente, que se tornou peculiar entre os políticos da atualidade. Joao Dehon faz parte dessa nova safra de oradores, que se atrapalham ao tentar contruir uma fala emotiva sem o sentimento correspondente às suas palavras.

No seu discurso durante a convenção do PMDB, o ex-prefeito até que tentou, mas não conseguiu contagiar seus interlocutores porque nem mesmo ele se comove com o que diz. Mais parecia uma maneira desesperada de chamar a atenção dos ouvintes, que estavam há horas ouvindo discursos enfadonhos. Como não lhe veio à mente frases de efeito para arrancar aplausos da plateia, a saída encontrada foi alterar subitamente o tom de voz e tornar a fala embaraçada, ininteligível. Mas em poucos segundos, eis que o peemedebista se recupera do clímax emocional. Assim, ele acabou demonstrando a tentativa de simular uma emoção ausente para envolver os presentes numa atmosfera de entusiasmo e não na apatia crônica de suas palavras.

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