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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Primeiro passo

Por Genildo Costa.*

Como todos os dias, vejo cenas repetidas de um mesmo teatro que não suporto mais encará-lo de frente. Por mais que seja real, devo dizer de meu ceticismo,ou melhor, de minhas dúvidas que atormentam as noites de minha solidão. Não costumo até então guardar comigo confetes para alimentar a vaidade de quem quer que seja. Deve ser por conta dessa minha ausência nos espaços de glamour que hoje pago um preço altíssimo em continuar defendendo intransigentemente a liberdade de manifestação da palavra, mesmo sabendo que aos loucos pelo menos persiste o direito de continuar sonhando. Quando não mais prestar para sonhar sonhos possíveis, remeterei a mim mesmo uma carta suicida, e farei de meu silêncio o instrumento para denunciar os meus devaneios e utopias vãs.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Relicário

Por Genildo Costa.*
Palavras de sincera gratidão.

Numa dessas manhãs de céu cinzento tomei a liberdade de olhar mais de perto algumas daquelas fotografias que nos remetem medo e temeridade. Mesmo sem ter os cuidados básicos, penso que não fui tão relapso com umas dezenas de retratos que me atormentam e a mim mesmo denunciam.

Não tenho lembranças de todas as trilhas. Obviamente apenas me encorajo de tornar público e notório o tamanho de minha devoção para com todos os gestos tão bem postados a cada fotografia que consigo salvar. Não tenho nenhuma dúvida, foram tempos memoráveis. Nem todas estão sob a minha batuta. Devo, ainda hoje, revirar o meu relicário na tentativa de rencontrá-las. Caso isso aconteça,vou ter a felicidade de olhar bem dentro de meus olhos e certamente vou ter que enxergar bem no fundo de minhas retinas os primeiros passos ensaiados rumo ao caminho das pedras.

Nada de muito esforço para se ver diante do espelho da vida. Apenas algumas veredas de sombras podem nos conduzir à uma profunda retomada quanto a nossa posição nesse picadeiro de múltiplas facetas. Nada contra ao imediatismo. Confesso até de minha admiração por aqueles que não comungam com aquela ideia de que nem todo atalho diminui uma distância. Devo manifestar respeito, porque só assim é possível garantir para a posteridade o mínimo de respeito aos que conseguem divergir de minha maneira de ser frente aos embates do cotidiano.

Mas o que me comove realmente é saber que as lágrimas que brotam podem fazer renascer um sonho antigo. Desses de um tempo também antigo. Tão velho e desbotado que até se confunde com a nossa coragem às vezes de dizer de nossas decepções e desencantos para com o que haveríamos de fazer e não fizemos.

domingo, 5 de agosto de 2012

Protocolo em preto e branco

Ao menestrel e parceiro Gonzaga de Areias.
Por Genildo Costa.*

Sempre tive interesse em conhecer de perto pessoas de atitude. Algumas até surpreendem mais que outras. Evidentemente que somos imprevisíveis, queiramos ou não. Vez em quando dou de cara com quem na mais tenra idade conseguiu definir-se para este mundo de tamanha vulgaridade.

São quase sempre os mesmos quereres. As mesmas cantilenas. Raramente algo de inovador acontece nesse tão antigo e surrado expositor de peças de sedução diminuta. É claro que é nesse tabuleiro onde o belo e o inconsequente passam muitas vezes despercebidos.

Mesmo assim se fez sonoridade e canção. Não só compasso e nem tampouco a cadência intimista naquela tarde. Era a gestação da palavra em forma de música de rara execução. Uma possibilidade talvez de não mais ter que disfarçar o sorriso ingênuo tão presente na expressão viva de sua simplicidade. Mais que isso, diria que a construção do belo sempre esteve muito distante de nossas vaidades e muito próximo das coisas que não conseguimos materializar juntos.

Penso em não querer versar sobre a nossa possibilidade de entender as inúmeras canções que tivemos que lapidar com cuidado. Algumas até se dissiparam. Creio que não mais estão entre nós. Seguiram por percurso que desconheço. Devo um dia buscar motivação para encontrá-las e saudar a mais bela estrofe. Reinventar o riso quando a dor se emancipar de cada lágrima contida em versos que tive que suportá-los.

Decidi guardar comigo os racunhos onde estão expostas a caligrafia e a concretude de credencial inigualável, pois algumas vezes denunciamos juntos o prazer de cantar coisas da alma da gente. Até então o belo nada mais era do que a consistência de uma melodia. E não havíamos tido o tempo necessário para acreditar que a vida é muito mais que a tua voz gravada numa lâmina de vinil. E acontecemos assim. Distantes sem que o paradeiro de outras canções pudessem tratar de redimir a nossa máxima culpa de não poder superar todas as adversidades.

Para alguns, o contraditório. O intransitável. O paradoxo que não tem explicação. A rebeldia em carne viva que se autoflagela e perde o prumo e não mais encontra o caminho de retorno à morada antiga. Para o belo,não mais a superficialidade que me importa, pois o que interessa é poder minimizar o sentimento de perdas irreparáveis. Foram tantas e não mais quero ter que buscar na fugacidade de minhas vagas lembranças a complexa tarefa de compreender a omissão da retórica perdida. Nesta sempre existirá a esperança de viver intensamente a legitimidade do belo, e isso nos dá a dimensão exata do inconsequente e sua vulgaridade por sob esse céu cor de anil.

*Genildo Costa é cantor e compositor.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Há quanto tempo!

Por Genildo Costa* via Recitanda do Jornal O Mossoroense.

Aos visionários da lousa perdida!

Quase que não reconhecia, realmente, o meu Neruda que havia perdido. Encontrei-o, menos alegre que outrora, apenas algumas rugas. Algumas, por demais imperativas, outras, pura confissão. Detive-me, por alguns instantes, e a mim mesmo resolvi denunciar a trágica cumplicidade, tardiamente.

Cuidei de me antecipar e tentar entender que a lisura desses tempos de infortúnios vividos deixou-me lembranças. Por sinal boas lembranças. Só agora a serenidade alumia a tez de nossas velhas e intransitáveis veredas de absoluta solidão.

Por mais que tentasse construir atalhos para reinventar palavras de convencimento, de persuasão, mais confuso lá estava, a minha única e singular pessoa. Mesmo assim resolvi optar pelo retrovisor do tempo, e por incrível que pareça, percebi que tudo que havíamos projetado não mais estava em sintonia com a pulsação de nossas aspirações.

Optei por tentar uma nova convivência. Fazer-se de aprendiz para só agora iniciar um trajeto que me levaria a reunir todas as páginas que num passado, não muito distante, nos ensinou a apontar caminhos. Seria, então, velhos fantasmas que nos atormentam ou possíveis espectros que divagam por sobre a alcova desses homens de fé pequena e de fracassados sonhos? Creio que não.

Persisto em não querer, por mais uma vez, apresentar de novo justificativas para não ter que continuar me vendo anjo de uma corte celestial que nega no espelho de todos os dias a sua real identidade.

Que seja assim, pois, a impressão que fica dessa teia de relação promíscua é a de que o pretérito tão bem lapidado não nos servirá sequer para rever a tua lira composta em versos de pura indignação. Reconheço que agora é a negritude da lousa que se nega a doar-se completamente. Uma vaga lembrança de alguns memoráveis escritos não me deixa sequer tomar, em definitivo, a cicuta de meus desencantos.

Mesmo que tenha que fingir, não consigo. Não dobro esquinas desnecessariamente. Apenas, tenho evitado em não querer mais a leitura compulsiva de meu Neruda tão fragilizado e triste. Tentei revesti-lo de alento, não tive êxito. Mesmo assim, pude viver, intensamente, algumas páginas como se ali estivesse todos os meus dissabores.

Ainda permanecem, tão-somente, as irrevogáveis cicatrizes que certamente ficarão expostas. Os traços visíveis de sua fisionomia adormecerão comigo porque espero acordar sereno e não mais solitário de tuas páginas de dor e sofrimento.

*Genildo Costa é cantor e compositor.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Concerto dissonante

Por Genildo Costa*.

Nunca fui de subestimar os ensinamentos de nossos sábios pensadores. Eles, sem dúvida, não morreram de overdose pelo poder. Estiveram sempre atentos e quando saíram de cena deixaram a tolerância, a humildade e o amor ao próximo como parâmetros indispensáveis para a formatação do processo civilizatório. Creio que houve tempo de sobra para a partir desses ensinamentos celebrar com sucesso o inevitável espetáculo da vida.

Tenho tido basicamente prudência para não me tornar intransigente e nem tampouco criatura de múltiplas facetas. Creio que é possível ter o mínimo de compreensão quanto a nossa milenar tarefa de continuar acreditando numa nova proposta de humanidade onde a vida possa ser contemplada em toda sua plenitude.

Como seria então o conteúdo programático dessa nova empreitada? Imagino como haveria de ser reinventar essa possibilidade de não mais ter que sacrificar o outro quando da busca de nossas comodidades. Penso que buscar subsídios para reencontrar-se pela palavra é simplesmente correr o risco de ser reincidente. O que se propõe é muito mais que uma releitura de tudo que aprendemos no curso de nossas vidas. O expediente de agora é de profunda perplexidade. É o devir, o ajustar-se, o não ser mais. O que nos aguarda pode ser a última oportunidade reservada para o exercício urgente da depuração.

domingo, 27 de maio de 2012

Darcy Ribeiro, almanaque da política brasileira.

Por Genildo Costa.*

Foi-se o tempo em que as referências bibliográficas serviam como necessidades básicas de nosso aprendizado; caminhavam a passos largos, quase sempre em todas as instâncias de nosso cotidiano. Na verdade, dificilmente se divaga sobre nossas cabeças personalidades ilustres que até então fazem parte da constelação de valores desse imenso almanaque chamado Brasil.

Diria até que são inúmeras as referências. Algumas certamente vamos ter dificuldades de encontrá-las, já outras são mais perceptíveis. Até porque para os mais inquietos haverá de existir sempre a curiosidade de saber da consciência anárquica dos poucos que permanecem tatuados na memória do povo brasileiro.

Que jamais percamos de vista a dinâmica da velocidade que nos enclausura. Nos faz de reféns e nos rouba a possibilidade de imprimirmos a marca do ser univérsico. Antenado, apto a entender que nesse almanaque vamos sempre encontrar régua e compasso para pensarmos o Brasil que queremos e sonhamos ter.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Aos falsários da estética farsante

Que nos preparemos para uma possível comodidade em nome da estética farsante, vil, mercenária, inconsequente.

Por Genildo Costa.*

Há algo por demais interessante quando adotamos o silêncio em situações em que o consenso não nos permite intervir quanto a nossa sutil paranormalidade.

Prescrevem os mais sábios que por mais vulnerável que seja o campo onde reside a ignorância sempre haverá de existir uma vanguarda de alguns poucos que não conseguem celebrar o pacto da vulgaridade. Nunca vamos estar a sós. Haveremos de nos encontrar, sempre.

Evidentemente que nos encontramos numa situação de extrema vulnerabilidade quando a nossa capacidade de intervenção gradativamente vem se esgotando e a nossa vitalidade de se permanecer otimista quanto a nossa identidade de agente multiplicador de ideias também vive seus últimos dias de pulsação. Teatralizar em nome do consenso, como se estivéssemos mais próximos de uma real possibilidade de encontrarmos essa tal felicidade tem sido a regra básica. Para tanto, mais que necessário, é valer-se das aparências para não mais ter que se esforçar e perder tempo em andar sempre olhando de lado.

Que nos preparemos para uma possível comodidade em nome da estética farsante, vil, mercenária, inconsequente. Proclamadora de esteriótipos e sedutora de cabeças ocas. Sempre ávida e tolerante quando de sua programação para suplantar aos que na sua inquietude arvoram-se em ser utópicos.Valorosos por assim dizer de sua ousadia em conclamar um possível gesto de alteridade humana.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Pelas ruas de Oberã

Por Genildo Costa.*

Quando tomei nota de minhas poucas lembranças dei conta de que não estava mais comigo as mesmas criaturas, as mesmas impressões digitais tatuadas no meu corpo franzino de menino moleque.

Pelo prado de meus encantamentos a certeza de sempre encontrá-lo. Altivo e sereno. Reticente. Exposto às agruras desses mesmos dias de leviana submissão que tenho que suportar...a contra gosto. Mesmo assim, continuo insistindo em refazer a mesma moldura que antes me permitia ser bandido e, muitas vezes, herói desses tempos de vida brejeira e de liberdade provinciana.

Para além de nossas limitações, a configuração de uma outra estampa que não encontro jamais, pois não sei se já é hora de confessar o tamanho de minha agonia. Acredito não ser oportuno destilar dores quando tudo não passa de algo pertinente a essa tal subjetividade humana. Agora sim, percebo que todas as sombras se dissipam. Seguem rumo ignorado. Algumas tropeçam no último degrau da escadaria e não encontram equilíbrio para continuar seguindo por essas ruas de sentimento amiúde.

domingo, 23 de outubro de 2011

A farsa da política tupiniquim


Por Genildo Costa*
Costumo dizer que o senso comum às vezes nos ajuda a compreender situações que estão intrinsecamente ligadas ao cotidiano de nosso povo. Assim sendo, fico cá com meus botões matutando pra de vez em quando assumir acertos e equívocos quando o tema é a partidarização de nossos interesses e sentimentos.

Diria que aos meus olhos nada de novo. Nada! Insisto em continuar não acreditando na pirotecnia da política rasteira e leviana. Como sempre, farto da palavra vazia e não muito crédulo para com os pretensos domadores da próxima cena da política tupiniquim. Decerto, virá a mesma alegoria, para um cortejo de pouca ou de nenhuma inovação no que diz respeito às transformações possíveis. Se nada foi alterado e tudo foi acontecendo gradualmente, sem a percepção dos serviçais da corte, é claro, que não é hora de se fazer vitrine para o embate vindouro.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

De Minha Alma Pagã

Por Genildo Costa.*

Como se não bastassem as inúmeras tentativas de que tenho feito para continuar transitando diuturnamente nesse universo, que elegi para viver condignamente, agora me chega de súbito uma outra prerrogativa, diria não muito relevante para com a minha singular maneira de ser e de estar.

Confesso que não ando muito otimista com o que vejo e nem tampouco com essa grande possibilidade de perdermos a noção do ridículo. Pois, a moldura exposta não deve por muito tempo saciar-se de sua própria imagem. Tão opaca quanto a mais perversa submissão que paira sobre os cristais de nossos eternos e infinitos devaneios. Que seja assim, detentora de muitos artifícios para continuar alimentando, até enquanto houver resistência, os vermes que decompõem em vida verdades e mentiras de tua alcova.

Para além de minha aura que estejam somente as minhas sinceras e eternas convicções de não poder jamais prescrever o antídoto desse receituário, que me rouba o sossego e me tira a paz que um dia tive que buscá-la em um lugar qualquer de meu imaginário. Tão doutrinário e tão fugaz é a tua servilidade. Não creio mais naquilo que se publica e que até então se apresenta com tamanha notoriedade. Faço e refaço como se fôssemos tal qual os alquimistas na sua particularidade de reinventar a mais inovadora terapia assentada sobre os pilares da razão profana e da fé que sonhei um dia em alcançá-la. Pereço e retorno o percurso, mesmo que tardiamente. Assim, insisto em viver intensamente o mais sublime momento de depuração de minha alma pagã.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Pra depois das horas mortas

Por Genildo Costa.
Ao poeta e parceiro Marcos Ferreira.

Aqui acolá a preguiça vacila e aí eu me aproveito de sua falta de percepção para não mais insistir em tratar do óbvio. Sem alarde. Sem que os outros passem despercebidos quando o tema vier a ser a nossa total ausência de se sentir capaz de ir a diante. De se sentir presente. De não mais ter que embarcar naquela de postar a voz e fazer valer a sua mais sincera hipocrisia. Aos hipócritas, claro, todas as flores de qualquer manhã de setembro, pois, só assim, eles se sentirão, verdadeiramente, tal qual o riso falso dessa eterna loucura de não mais ser o que sempre sonhamos para todos nós.

Que possamos, então, nesses momentos de profunda agonia aguardar a hora certa para não mais ter que buscar lenitivo em qualquer esquina, pois até agora há pouco vi passar pelas tabelas o último confidente que me fez acreditar que amanhã será outro dia. Pois nesse compasso de embriaguez exposta, o desencanto. A estética vencida. O traço que não identifica sequer as cores de nossa rebeldia. O que fica parece ser a nossa falta de elegância quando tentamos persuadir para fazer valer a mesma fala....Que já não mais está comigo e muito menos com o alarido das ruas.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

De Cara Pro Mundo



No vídeo, Genildo Costa canta "De Cara Pro Mundo"  para os estudantes do @C_O_M_E_M que estavam acampados na 12ª Dired em Mossoró. A gravação foi feita pelos integrantes do acampamento #Primavera Sem Rosa em 24/06/11 e será aproveitada na elaboração de um documentário sobre a luta destes alunos em defesa da educação do RN.

Veja também: Música para acampamentos.





 

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O bonde que passou

Por Genildo Costa.

(Texto dedicado ao imperativo das vozes que se fez juventude).  

Há quem diga que sob às luzes de neon tudo anda conforme o combinado. Evidentemente, que não se faz necessário se apropriar de tratados filosóficos e, nem tampouco, dos clássicos da nossa literatura política para emitir opinião acerca de nossas verdades.

Não tenho dúvida de que ainda permanecemos os mesmos segundo o pacto que estabeleceu normas para que chegássemos a alcançar o mínimo de civilidade. Não carece de explicação quando o tema é conviver socialmente. Basta-nos levar em consideração o esforço que foi realizado para que pudéssemos, então, imprimir os caracteres mínimos responsáveis por essa vida de liberdade civil vigiada.

Por mais que tentemos compreender, verdadeiramente, os diferentes estágios dessa peleja de se tentar humanizar para uma relação de cordialidade e de respeito mútuo, mais estou convicto de que perdemos uma grande oportunidade de nos tornarmos plenamente viáveis.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Ensaio Geral

Na tarde do último sábado(02/07), ocorreu a estréia do projeto "Ensaio Geral" no Shopping Boulevard Central em Mossoró. Promovida pela POEMA(Poetas e Prosadores de Mossoró), a primeira edição do evento foi comandada por artistas de Grossos. Com a performance dos irmãos Genildo Costa e Geová Costa e a versatilidade do músico Alan Jimme, o show superou as expectativas, agradando ao público presente que lotou a praça de alimentação daquele shoping.

Vale destacar que neste primeiro encontro também deram sua colaboração os poetas Antônio Francisco e Sebastião Jales, o estudante de música Gabriel e o professor de violão Guido. Todos comprometidos em reforçar a ideia principal do “Ensaio Geral”, que é combinar poesia e música de qualidade a fim de se obter uma alternativa de entretenimento capaz de resgatar o que há de melhor na cultura popular brasileira.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Música para acampamentos

Genildo Costa cantando para os estudantes do Acampamento #Primavera Sem Rosa
De que precisa um artista para fazer uma de suas melhores apresentações? Cachê elevado, platéia numerosa e uma super estrutura de palco e som, diriam alguns observadores da cena cultural. Mas pra surpresa dessa gente que só vê na arte um meio de obter lucro, ainda há pessoas que fazem dela um intrumento de protesto social. Foi com este último propósito que na noite da última sexta-feira(24/06), o cantor Genildo Costa se juntou aos estudantes que estão acampados na 12ª Dired em Mossoró.


Com um repertório que incluía canções suas e dos principais ícones da MPB, o poeta de Grossos emprestou sua musicalidade à causa defendida pelos jovens do C.O.M.E.M. (Comando de Mobilização Estudantil de Mossoró). Em pouco tempo se percebeu que entre o músico e o público estudantil havia bem mais afinidade do que se imaginava. Com tanta empatia, logo os detalhes do lugar improvisado para o show perderam a importância. E num pequeno espaço da calçada do prédio, falando com um microfone apoiado num mastro de bandeira amarrado a cadeiras de plástico, Genildo fez ecoar novamente sua voz em nome dos movimentos sociais.

É bem verdade que vários anos se passaram desde a sua última experiência juvenil nesse tipo de manifestação. No entanto, o mesmo espírito aguerrido que permeava as lembranças de juventude do poeta estava mais forte do que nunca. E com ele também presente a certeza de que um futuro diferente se constroi somente a partir da mobilização e do engajamento de todos na luta por dias melhores.

domingo, 20 de março de 2011

Reminiscências

Por Genildo Costa.*

Aquele rio que passa
Ainda é o mesmo rio
Que adormece em seu leito
A minha infância.

Quisera eu poder
Provar de tuas águas turvas
Quando a saudade apertar.

Quisera eu poder em cada instante
Dessa saudade amenizar tuas dores.

Quem sabe se na correnteza de tuas águas
Eu possa um dia confessar segredos de minha solidão.

* Genildo Costa é coordenador dos livros "Cotidiano em dois tempos" e "A saga da poesia sobrevivente". Aos sábados apresenta o programa Cultura dos Monxorós na Rádio Rural de Mossoró.