terça-feira, 9 de agosto de 2011

Na passarela do Tribunal


Ultimamente a política de Grossos tem exportado notícias negativas para o estado. Não que isso seja uma tendência nova, mas pelo menos agora ocorre com mais frequência. É o que se tem percebido de dezembro de 2010 até julho deste ano, quando três das principais lideranças políticas da cidade tiveram suas contas rejeitadas pelo TCE-RN. E somando os valores a serem ressarcidos ao erário chegamos à quase R$ 1,3 milhão. Apesar de ser um montante considerável, ainda ficamos com a impressão de que ele revela tão somente a ponta do iceberg.

Por isso, há muito mais que se averiguar nas contas da Prefeitura, principalmente porque as finanças municipais sempre foram uma espécie de “caixa preta” dos governos grossenses.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Pra depois das horas mortas

Por Genildo Costa.
Ao poeta e parceiro Marcos Ferreira.

Aqui acolá a preguiça vacila e aí eu me aproveito de sua falta de percepção para não mais insistir em tratar do óbvio. Sem alarde. Sem que os outros passem despercebidos quando o tema vier a ser a nossa total ausência de se sentir capaz de ir a diante. De se sentir presente. De não mais ter que embarcar naquela de postar a voz e fazer valer a sua mais sincera hipocrisia. Aos hipócritas, claro, todas as flores de qualquer manhã de setembro, pois, só assim, eles se sentirão, verdadeiramente, tal qual o riso falso dessa eterna loucura de não mais ser o que sempre sonhamos para todos nós.

Que possamos, então, nesses momentos de profunda agonia aguardar a hora certa para não mais ter que buscar lenitivo em qualquer esquina, pois até agora há pouco vi passar pelas tabelas o último confidente que me fez acreditar que amanhã será outro dia. Pois nesse compasso de embriaguez exposta, o desencanto. A estética vencida. O traço que não identifica sequer as cores de nossa rebeldia. O que fica parece ser a nossa falta de elegância quando tentamos persuadir para fazer valer a mesma fala....Que já não mais está comigo e muito menos com o alarido das ruas.

domingo, 7 de agosto de 2011

O poeta é um milionário

Folheando o livro A Saga da Poesia Sobrevivente, me deparo com uma entrevista de Dagmar Costa ao jornal O Mossoroense em 1997. Nela, o jornalista Cid Augusto pergunta a meu avô se existe poeta rico. Dagmar então responde que nunca viu e lembra de uma situação vivida pelo também artesão da palavra, Israel de Castro, quando certa vez um padre querendo ridicularizá-lo lhe disse: "Você é milionário, Israel". A resposta do poeta foi imediata e veio na forma dos seguintes versos:

"Você realmente, padre, tem razão.
Eu não sou pobre, tenho a natureza,
O meu cofre de ouro cheio de riqueza,
Com chave da sutil inspiração.

Com ela eu me comparo a Salomão,
Trago nas veias sangue e nobreza,
Sou poderoso, sábio, eu sou alteza,
Sou invejado sem invejar do rei o seu brasão.

O céu, a estrela, a lua e o oceano
Rico me fazem, sorridente e ufano
Durmo num berço de ouro imaginário.

E se um sacerdote fala qual profeta
E a luz divina envolve-lhe a lama inquieta,
Eu sou realmente, padre, um milionário."

A primeira cerca

"O primeiro que, tendo cercado um terreno, atreveu-se a dizer: Isto é meu, e encontrou pessoas simples o suficiente para acreditar nele, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Quantos crimes, guerras, assassínios, quantas misérias e horrores não teria poupado ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou enchendo o fosso, houvesse gritado aos seus semelhantes:"Evitai ouvir esse impostor. Estareis perdidos se esquecerdes que os frutos são de todos e que a terra não é de ninguém!"*

*Extraído da obra "Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens" do iluminista  Jean-Jacques Rousseau .

sábado, 6 de agosto de 2011

A Copa do Mundo é nossa. E o que ganhamos com isso?

Por Marcelo Semer, do Blog Sem Juízo.

A Copa do Mundo é nossa.

Mas o que nós ganhamos com isso?

O pontapé inicial de 2014 foi um chute no lombo do brasileiro: uma festa-sorteio com cara de programa de televisão, que custou a bagatela de trinta milhões de reais, repartidos entre dois bons patrocinadores: o Estado e a Prefeitura do Rio de Janeiro.

Um evento que poderia ter sido realizado nas dependências da própria Fifa, ou de qualquer teatro, fechou por quatro horas o principal aeroporto do Rio para evitar que o trânsito e o barulho das aeronaves atrapalhassem a retirada dos papeizinhos dos potes na Marina da Glória.

Esse é um pequeno exemplo de como o país vai se condicionando a aceitar as regras da Fifa, para a realização do campeonato.[...] Leia o artigo completo AQUI.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

De Cara Pro Mundo



No vídeo, Genildo Costa canta "De Cara Pro Mundo"  para os estudantes do @C_O_M_E_M que estavam acampados na 12ª Dired em Mossoró. A gravação foi feita pelos integrantes do acampamento #Primavera Sem Rosa em 24/06/11 e será aproveitada na elaboração de um documentário sobre a luta destes alunos em defesa da educação do RN.

Veja também: Música para acampamentos.





 

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A amoralidade como norma

Por Celso Lungaretti do Blog Náufrago da Utopia.

Quando eu estava começando a formar minhas convicções, aos 15 anos, assisti a uma peça de teatro amador sobre Galileu Galilei, que trazia, destacada nos cartazes e no programa, uma fala que me marcou para sempre: “Há um mínimo de dignidade que não se pode negociar. Nem mesmo em troca da liberdade. Nem mesmo em troca do sol”.

Referia-se ao recuo tático do grande físico, matemático, astrônomo e filósofo italiano, que renegou sua convicção de que o Sol (e não a Terra) era o centro de nosso Universo, para obter a clemência da Inquisição. Doente e quase cego, o septuagenário Galileu fez esta concessão ao obscurantismo religioso para que sua pena de exílio fosse convertida no que hoje chamamos de prisão domiciliar.

Os homens têm enfrentado, ao longo dos séculos, o dilema moral de escolherem entre o que é certo e o que é conveniente. Às vezes, em situações ainda mais dramáticas, como a que os relatos lendários sobre a Guerra de Tróia atribuem ao rei Agamenon, quando a partida de sua monumental frota estava sendo impedida pela calmaria e um profeta lhe revelou que a deusa Ártemis exigia a vida de sua filha Ifigênia como contrapartida de ventos favoráveis.

Mas, dificilmente as opções negativas são feitas por motivos tão extremos. E, nas situações prosaicas do cotidiano, o ensinamento de Jesus Cristo continua apontando o único caminho verdadeiramente ético: “Que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma?” (Mateus, 16:26).

Neste melancólico século 21, pouquíssimos hesitam em trocar a alma por dinheiro, status e poder. O capitalismo, erigindo a competitividade e a ganância em valores supremos da vida social, transforma os homens em fiéis devotos do bezerro de ouro.