sábado, 30 de junho de 2012

Sortidas...(30 jun)

A travessia do Mar Vermelho
A esquerda decadente e a direita triunfante de Grossos. -  Os políticos conservadores do município estão em festa. A vitória é toda deles. Depois de décadas de dominação eles finalmente consolidaram a sua supremacia, adestrando a dita esquerda política para transmitir o seu legado de exploração. Missão cumprida, devem dizer para os seu pares, regozijando-se do feito. Afinal, não é pra menos, pois conseguiram unificar o pensamento político da cidade e agora têm garantias de sobra de que nada deve mudar tão cedo.

De novo não - Espero que o ex-prefeito João Dehon finalmente mude o seu discurso na convenção do PMDB que ocorrerá logo mais. Ele tem repetido as mesmas frases e referências nas suas falas em público. Não cita propostas nem lembra do seu governo. Tomara que hoje o peemedebista esqueça um pouco de Moisés cruzando o Mar Vermelho ou de Rui Barbosa defendendo Grossos. Se fizer isso, quem sabe o ouviremos finalmente falar de política.


Oposição dividida, chances de vitória reduzidas - A oposição grossense vem encontrando dificuldades para acertar os ponteiros. Se não marchar unida, não vai tirar proveito máximo da rejeição à chapa governista. Podendo escolher entre mais de um adversário do prefeito, o eleitorado não simpatizante da situação se divide e facilita a disputa para os rivais, que temem uma campanha com apenas dois nomes concorrendo à Prefeitura.

Reunindo os cacos - Se engana quem pensa que a falta de sintonia é privilégio da oposição. O governo sabem bem disso, pois ainda tenta se recompor do processo traumático que resultou na formação da chapa majoritária. A escolha dos candidatos deixou sequelas na base aliada, cicatrizes que um sorriso forçado para a foto não consegue apagar.
Atriz global foi assunto de encontro político em Grossos

Quebra de confiança- Os comunistas de Grossos não digeriram muito bem o fato de o PC do B não ter indicado o vice de Alexandre (PSB). Com a inclusão de Laíres (PR) na lista do TCE, a indicação era quase certa, mas acabou esbarrando em dois fatores: a vontade de Caxica, que é quem realmente bate o martelo nas negociações, e a quebra de confiança na relação com o prefeito.

O troco -  O mandatário socialista não engoliu o ensaio de dissidência do PC do B realizado no dia 04/05 (ver AQUI). O objetivo da reunião dos comunistas com o DEM não era unir Lula e Zé Agripino em Grossos, mas dizer ao chefe do executivo que a legenda poderia deixar a base do governo caso não fosse atendida nos seus pleitos. Bom, Veronilde anotou o recado e só teve o trabalho de esperar o momento certo para dar o troco à rebeldia dos aliados.

As fotos de Carolina Dieckman - Já sei, já sei. Alguém vai se manifestar dizendo que o editor do blog não estava lá e, portanto, o comentário acima não procede. Mas a Opinião reversa não precisa marcar presença nos conchavos políticos da cidade para saber o que as lideranças discutem. No caso do referido encontro multipartidário, tenho certeza que os problemas do município não entraram na pauta de discussão. Excluindo-se essa temática e a versão contada pelo blog, só nos resta acreditar que naquele dia os caciques locais se debruçaram estudando o impacto da morte de Tinoco na música sertaneja ou o vazamento das fotos de Carolina Dieckman nua na internet.*

*P.S.: A morte de Tinoco e as fotos da atriz global foram os assuntos mais comentados pela mídia nacional no dia 04/05/2012.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Ritmo lento

Preparação.

O blog diminuiu o ritmo das atualizações nos últimos dias para economizar energia em face da iminente campanha eleitoral na cidade. Mas aos poucos voltaremos à normalidade e até sábado (30/06), antes das convenções partidárias, algumas postagens em 'gestação' finalmente virão à tona. Aproveito a oportunidade para agradecer a paciência e o acesso dos webleitores que visitaram esta página desde segunda e não encontraram tantas novidades. Abraço a todos vocês e até a próxima opinião reversa.

domingo, 24 de junho de 2012

Dez Mandamentos da Mentira

Texto de Millôr Fernandes*.

I. Um homem que mente e diz que mente, mente ou não mente? Se diz mentira quando que mente, também não mente;

II. Vantagem extraordinária é a do mentiroso. Enquanto os outros sabem apenas o que sabem, ele sabe sempre alguma coisa a mais;

III. A mentira é a mais-valia arrancada da credulidade. Já que a mentira só existe quando há um crédulo. Pois ao cético ninguém mente, já que ele não crê na verdade;

IV. O que vive repetindo a palavra indubitável é, indubitavelmente, um mentiroso;

V. Mentimos mesmo quando estamos sozinhos;

VI. Jamais diga uma mentira que não possa provar;

VII. Uma mentira é a do que mente. Outra é a do escutador;

VIII. É inútil apontar alguém como mentiroso. Todo mundo é;

IX. Desenvolveu tanto a arte da mentira que todos acreditam nele. Ele é que não acredita em mais ninguém;

X. A inverdade, apanhada na hora, chamamos de mentira deslavada. Um ano depois será considerada apenas uma outra faceta da verdade. Se persistir na memória...um século depois já ninguém saberá quem disse e ela será parte fundamental da sabedoria popular, se transformará em fantasia, em ode, em épico, quem sabe em conceito geral da eternidade filosófica?

* Publicado originalmente na Veja de 05/10/2005 e também na revista Filosofia Ciência & Vida, edição de maio de 2012.

sábado, 23 de junho de 2012

Como elite, mídia e igreja católica jantaram Lugo

Por Leonardo Attuch do Brasil 247.
Foto:Brasil 247

Ainda que a constituição paraguaia permita o juízo político de seus governantes, um processo de impeachment que se desenrola em apenas dois dias só pode ser definido com uma única palavra: golpe. Foi isso o que aconteceu no Paraguai, por mais que vozes conservadoras, daqui e de lá, defendam a legalidade do processo. Ponto.

Até aí, não há muita surpresa, uma vez que a história paraguaia é marcada por golpes, ditaduras e quarteladas. A diferença, desta vez, foi a sutileza de um “golpe parlamentar”, um “golpe democrático”. Em resumo, um golpe branco, imposto pela elite oligárquica do país.

Surpresa em si foi a reação do presidente Fernando Lugo, que não opôs resistência alguma e se ofereceu passivamente ao martírio. A que se deve essa atitude? Talvez seja fruto da sua formação católica. Ex-padre, e achincalhado por muitos pelas dezenas de filhos que fez, Lugo tem alma cristã. Ao deixar o poder, ele ofereceu a outra face. “Saio pela porta maior, a do coração”, disse o ex-presidente. Lugo ainda tentará – em vão – recuperar seus direitos políticos, mas essa é uma batalha perdida. Leia mais...

sexta-feira, 22 de junho de 2012

O acordo Lula-Maluf

Por Rui Martins Berna do site Direto da Redação.

Embora eu tenha operado as amígdalas e, recentemente, tenham me tirado a vesícula biliar, há uma coisa que não consigo fazer – é engolir sapo. E talvez, por isso, termine os poucos anos que me restam de militância como apartidário.

Ainda na semana passada, quando o ministro do Trabalho, neto do velho combatente Brizola, passava por Genebra, na Organização Internacional do Trabalho, um amigo tinha organizado uma feijoada com os companheiros do PT e me convidou não só para participar do encontro, como para aderir ao partido.

E eu, com aquela sinceridade e maneira direta capaz de chocar algumas pessoas, agradeci mas declinei da oferta: “meu caro, desde o dia em que deixei a igreja, prometi a mim mesmo, nunca mais pertencer a igreja ou partido. Nem acreditar em deus, seja qual for, e muito menos em líderes humanos, mesmo porque, no fundo sou um rebelde e nunca aceitaria ter de aceitar uma decisão com a qual não concorde”. Continua...

Leia também: Foi a política que mudou ou foi o PT? - O mico que Lula pagou na foto com Maluf. 
 

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Fim da linha para a oposição 'verde'?

Boa pergunta.

Sete dias. Esse foi o tempo suficiente para transformar a euforia da oposição peemedebista novamente em apreensão. A causa dessa rápida conversão de emoções está na lista divulgada ontem pelo TCU onde consta o nome do ex-prefeito João Dehon (PMDB). A relação do tribunal esfriou os ânimos da ala verde oposicionista, que agora deve repensar sua estratégia para essas eleições. Vale dizer que outras variáveis ainda serão analisadas pela justiça eleitoral antes do enquadramento definitivo dos políticos na Lei da Ficha Limpa. Contudo, a simples presença no selecionado da Corte de Contas já é um bom motivo para elaborar (se é que não está pronto) um plano B de ação a ser posto em prática o mais breve possível.

Pedra no sapato.

Caso o TRE confirme a inelegibilidade de João, ainda assim ele continuará sendo a pedra no sapato dos seus adversários. É que a campanha de Grossos tende a ser polarizada e nesse caso o candidato apoiado pelo ex-prefeito deve figurar num dos pólos da disputa, seja ele qual for. O cenário o ajuda a manter uma alta taxa de transferência de votos. Com Enilson e Caxica(ops!), Alexandre, como outras opções, o eleitorado mais fiel do peemedebista está disposto a votar até num "poste" para dificultar a vida dos rivais.

Nome de confiança.

Não participando diretamente da disputa, é improvável que João Dehon doe seu capital eleitoral a alguém que não seja da sua estreita confiança. Por essa razão, Emílio e principalmente Enilson, que ele não aceitaria nem na condição de vice (veja AQUI), não estão entre os mais cotados para receber o seu apoio. Dessa forma, o filho de Zé Maurício deve ir até o fim arriscando tudo nessa eleição que é a mais importante da sua carreira política. 

Esquisito.

Muito estranho a maneira como os adversários dos 'bacurais' comemoraram a notícia de ontem. Fizeram pouco barulho (não houve nem foguetório!), o que é incomum na cidade tratando-se de um fato político tão relevante. Talvez o comedimento deles tenha relação com a conquista das 'ovelhas desgarradas' do PMDB ou com a cautela que o momento exige até uma decisão final do TRE. 

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Sortidas...(18 jun)

Troféu bonito, hein!?
Troféu - Ano passado quando disse que a vida política de Grossos é uma grande comédia (leia AQUI) não imaginava que os 'humoristas' da cidade iam levar tão a sério esse comentário. Eles estão superando todas as expectativas. Veja o caso do PC do B local tentanto indicar o vice da chapa governista. Um primor de atuação que coloca o partido na dianteira da disputa pelo Troféu Revelação na categoria maior mico político do ano. 

Risível - O processo de escolha do vice de Alexandre (PSB) está me saindo melhor que a encomenda. É até aqui o capítulo mais burlesco da novela sucessória grossense. Com destaque para o assédio dos comunistas sobre o prefeito, essa história será passada a limpo no blog, momento em que também falaremos da decadência da esquerda nativa e o grande triunfo dos políticos conservadores do município.

O primeiro depois de todo mundo - O PC do B grossense é a primeira das últimas opções do governismo para fechar a dupla que concorrerá à sucessão do prefeito. Isso ficou claro depois que Emílio rompeu com a base aliada e Cíntia Sonale declinou do convite para ser a vice de Alexandre (PSB). Mesmo com o caminho aparentemente 'livre', Cateca não consegue ser confirmado na majoritária, o que denota resistência do grupo à indicação do seu nome. Bem que o vereador poderia ter poupado a si e os seus eleitores de situação tão constrangedora.

Furando a fila - E enquanto os comunistas esperam pacientemente pela sua vez, o PR local pede passagem, furando a fila para tentar emplacar na chapa governista um nome ligado ao presidente da Câmara Municipal. O acordo, no entanto, esbarra na vontade do deputado João Maia, que agora é rosalbista de carteirinha e não quer ver o seu partido selando união com o PSB de Vilma de Faria.

Ela também aderiu à paralisação
Vacas em greve - Depois que a 'Rosa' assumiu o poder no estado nem o programa do leite funciona mais a contento. Em Grossos, mais precisamente no bairro Coqueiros, os beneficiários do programa já sabem o até motivo da distribuição irregular do produto: as vacas potiguares também entraram em greve!

O cidadão resolve - Há alguns dias conversei com um senhor mossoroense que precisava de um laudo a ser emitido pelo ITEP. O órgão estatal avisou que o documento só estaria disponível depois de 30 dias. O cidadão então quis saber o porquê da demora e os servidores alegaram (pasmem!) falta de tinta na impressora. O popular até se ofereceu para recarregar os cartuchos por conta própria, mas seu pedido foi negado. Inconsolado, ele foi orientado pelas pessoas que o atenderam a denunciar a situação na imprensa local como única maneira de apressar sua solicitação. Lamentável.

Alguém 'adote' a governadora - É por essa e outras razões que a gestão Rosalba Ciarlini está em queda livre na preferência popular. Sua rejeição, que na grande Natal está perto dos 80%, também é crescente na região oeste do estado. Duvido muito que este ano o palanque da 'Rosa' em Grossos fique tão abarrotado como na campanha de 2010. Ninguém vai querer queimar o próprio filme defendendo um governo tão reprovado pela população.

Defina esse tipo de aliança.
Palavras ao vento - “Fui sondado três vezes. Mas descarto completamente a possibilidade de ser vice da deputada Larissa Rosado (PSB).”Essa declaração foi feita pelo ex-reitor da Ufersa, Josivan Barbosa, em meados do mês passado quando ainda defendia a candidatura própria do PT a prefeitura de Mossoró. Hoje o petista está contente e satisfeito ao lado da filha de Sandra Rosado, e o seu maior problema é deletar da memória dos eleitores o seu discurso de poucos dias atrás.

Política é isso. Isso o quê? Muitos tentam revestir essa mudança repentina de Josivan Barbosa com certa naturalidade. É tudo 'normal', eles dizem, porque a política é dinâmica, faz parte do 'jogo', é assim mesmo. A flexibilidade das convicções é regra num mundo onde a política virou 'isso': um pronome indefinido, uma coisa inominável. Portanto, o que aconteceu com o PT de Mossoró não é obra da Política, mas da falta dela.

Possibilidade zero - Na entrevista relâmpago concedida ao blog, o ex-prefeito João Dehon (PMDB) afirmou que não existe possiblidade de compor a chapa com Enilson (DEM). A dúvida veio à tona por conta de um suposto desejo de Carlos Augusto e Rosalba de vê-los no mesmo palanque novamente. Contudo, João negou a existência de qualquer pressão nesse sentido vinda da governadoria.

Adesão gratuita - Na mesma conversa, o peemedebista também foi questionado sobre os termos do acordo que resultou no apoio do PDT a sua pré-candidatura. Segundo ele, os pedetistas não exigiram nada em troca da aliança, nem mesmo espaço político num provável governo, o que convenhamos é uma versão singela demais para esses tempos de barbárie política.