sábado, 14 de julho de 2012

A reação 'verde'

A coligação Força do Povo realizou no final da tarde e início da noite de ontem comícios 'relâmpagos' nas principais ruas de Grossos.  A movimentação política atraiu um bom público e foi bastante animada, tanto que quase transformou-se numa grande passeata.

Além da forte presença popular, marca dos eventos promovidos pelo PMDB local, outro aspecto positivo chamou atenção: a mudança de postura da oposição 'bacurau'. Ela está trabalhando mais a questão das realizações do governo João Dehon e cedendo um espaço maior para que pessoas não candidatas exponham o porquê de votar no peemedebista.

Prova disso foi a veiculação durante o dia de ontem de depoimentos de eleitores ligados ao ex-prefeito assim como a participação de oradores que não concorrerão a cargo eletivo nesta eleição. Dessa forma, o palanque fica mais eclético e democrático, diversificando assim os argumentos a favor do candidato.

Com a sua primeira manifestação de rua, a ala verde da oposição dá sinais de que está reavaliando alguns erros de campanhas anteriores. Ainda falta melhorar muita coisa, é bem verdade. Precisa abolir, por exemplo, o discurso religioso. Contudo, na noite passada já foi possível verificar um bom começo.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Cifras

Zeros à direita.

O sistema DivulgaCand 2012 da justiça eleitoral traz informações no mínimo curiosas sobre as candidaturas grossenses. A primeira delas diz respeito a um comparativo da previsão de gastos dos concorrentes a uma vaga na Câmara com o limite de despesa estipulado pela chapa majoritária governista.

O valor fixado pelos socialistas para eleger o seu candidato a prefeito (R$ 320 mil) não corresponde sequer ao dobro da campanha mais cara de vereador da mesma coligação (R$ 180 mil).

Perguntas: como a situação vai encarar uma disputa caríssima com orçamento tão modesto? Estariam eles confundindo o grau de dificuldade do embate majoritário com o do proporcional? Poxa, quanta ingenuidade! Isso é comovente. 

Outro detalhe interessante atinge em cheio a parcela da oposição liderada pelo PMDB. No final de maio, o líder maior da legenda no município expôs num encontro com aliados as dificuldades financeiras do seu grupo político. Na ocasião, chegou a pedir a ajuda dos correligionários para enfrentar esses problemas de ordem pecuniária.

Agora, depois de ter estimado seus gastos de campanha em R$700 mil, vejo que o peemedebista confia muito nos seus eleitores, sobretudo naqueles mais abastados economicamente.

Ainda sobre a coligação Força do Povo, verificamos que são dela a maior e a menor projeção de despesas para esta corrida eleitoral, e que a candidatura mais barata do pleito (limite de R$25mil) é justamente a de quem tem maior patrimônio declarado(quase R$ 500 mil).

Vale registrar que o desrespeito a esses patamares preestabelecidos pode ser considerado abuso de poder econômico, no caso de fatos supervenientes e imprevisíveis não justificarem a alteração posterior de tais informações.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Números surreais

Acredite se quiser.

Foram divulgados essa semana os limites de gastos de campanha dos candidatos a prefeito e vereador de Grossos. Os valores informados à justiça pelos aspirantes a cargo eletivo são surreais, inverossímeis.

A campanha na pequena cidade praia é milionária e a cada novo embate eleitoral torna-se mais cara. No entanto, os números revelados não traduzem isso porque a política nacional e as instituições que a fiscalizam preferem a fantasia ao mundo real.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Efeito bumerangue

Arma perigosa.

O Blog do Ronaldo reacendeu uma discussão interessante ontem. Ele fez uma crítica ao conteúdo de algumas músicas de campanha da coligação Força do Povo. O comentário do professor é pertinente, pois não há dúvida quanto ao uso de alguns termos inapropriados nessas composições melódicas.

Não quero aqui posar de falso moralista. Todo mundo sabe que nessa época do ano eu também viro folião nos comícios de Grossos. E seria muita hipocrisia da minha parte dizer que me retiro da passeata no exato momento em que uma dessas "marchinhas' mais agressivas toca nos carros de som. Não é bem assim, muito embora discorde de certas letras.

Penso que nessas horas o bom senso deve prevalecer. Em que pese o sentido figurado de algumas palavras, a seleção do vocabulário exige cuidado para não transmitir uma mensagem equivocada ao eleitor.

Os coronéis

Eles são de verdade.

É importante frisar que nem todas as referências constantes nessas músicas de campanha são "abomináveis". Algumas contêm críticas válidas aos governantes enquanto outras satirizam políticos tradicionais do município. Numa delas, por exemplo, fala-se que na cidade ainda existe coronel. Eu só discordo do número. Acho até que tem mais e não vejo nenhum problema em tocar no assunto. Afinal, o autor da letra não se dirigiu nominalmente a ninguém, o que descaracteriza suposta difamação contra terceiros. No mais, ele só falou a verdade, pois essa figura da República da Velha continua tão presente na política local quanto no início do século XX. A propósito, quem em sã consciência diria que em Grossos não existe voto de cabresto e outros vícios do coroneslismo brasileiro?

terça-feira, 3 de julho de 2012

Pá-pá-pá-pá-pá-pá-pôw!

Onomatopeia

Muito barulho e pouco conteúdo marcaram as convenções partidárias em Grossos no último sábado (30/06). Nada de novo ocorreu nos eventos das principais legendas do município. Em suma, os seus próceres valeram-se da mesma estratégia para sensibilizar a plateia, qual seja, a exploração da religiosidade do povo aliada a uma performance teatral amadora para simular fortes emoções.

No mais, os personagens de sempre estiveram presentes: o medroso e o destemido, o ignorante e o sábio, o forte e o fraco, a vítima e o vilão, o bem e o mal. Papéis criados para si e atribuídos aos outros com o fim de incutir nos aliados a confiança nos seus candidatos e a repulsa aos adversários. Assim como a queima de fogos, esse velho jeito de discutir e fazer política na cidade virou tradição, sendo ainda adotado pela maioria das lideranças locais conforme se pode constatar a partir de uma simples leitura dos seus pronunciamentos.

O pensamento nacional e o fim da Ciência Política

Do Blog do Carlos Santos.

Precisamos com urgência fazer uma releitura dos grandes clássicos da Ciência Política. Ou jogarmos tudo fora e começarmos do zero, outro ponto de partida, depois de mais de 2.500 anos de estudos sobre o tema.

Rousseau, Montesquieu, Schopenhauer, Bobbio, Aristóteles, Marx, Maquiavel, Platão, Gramsci, Hobbes, Locke etc. estão ultrapassados, se formos seguir a moderna política do pindorama nacional.

Ao criar o PSD, o prefeito paulistano Gilberto Kassab afirmou que o partido não seria de direita, centro ou esquerda. Deixou os revolucionários franceses boquiabertos, remexendo-se em túmulos com ou sem cabeça pós-guilhotina.

Paulo Maluf (PP) decretou o fim da direita e da esquerda. Segundo ele, os conceitos que firmaram o pensamento universal sobre essas ideologias políticas estão ultrapassados.

Lula, como não sabe e nunca soube o que é uma coisa nem outra, concorda com Maluf e com Kassab. Para ele, o que vale é a “política de resultados”, vencer a qualquer preço e a governabilidade de qualquer forma, com qualquer aliado.

Enfim, temos aí a política à brasileira.