Por Genildo Costa.
Não ousaria, jamais, apresentar o que penso, o que acho das coisas de tudo que já foi dito em belíssimas retóricas. Nas conversas de botequins, nos momentos solenes de rigidez protocolar. Enfim, por esses corredores de nosso cotidiano onde tudo é possível por mais que tentemos evitar a insensatez dos mais sensatos, aparentemente.
Ouço de tudo. Nada, nada me comove. Apenas tento apreender e comigo fica alguns instantes vividos e, de repente, esqueço, literalmente. Acho que exercitar o passado excessivamente é tornar-se, naturalmente, surreal e repetitivo. Guardo lembranças sem que seja necessário tratar de todas as memórias. Pra cada calendário uma nova roupagem, um novo figurino. Uma fala de persuasão altiva. Fugaz. É a face mais sombria e terrível de quem se fez signatário de sua decrepitude, infelizmente. Diz-se que quando não nos reconhecemos como sujeito de nossa caminhada acabamos pedindo os passos alheios para completar o que resta do percurso. É o que ora espreito nesses fatídicos dias que virão impávidos e de profundo desrespeito aos reais valores de nossa autêntica e respeitável cultura popular nordestina.

