domingo, 7 de novembro de 2010
O senador da "colinha"
Não contendo a frustração, pôs a culpa em um assessor que transitava entre os correligionários e tentou suprir a lacuna do discurso usando termos genéricos. Daí em diante Garibaldi se esforçava em demonstrar que os recursos destinados por ele foram muitos ou que havia várias emendas de sua autoria em prol do município. No entanto, a depender do esquecimento do congressista, essa tarefa se tornara muito difícil, a ponto de não se ter elencado uma única obra ou recurso específico em benefício dos grossenses.
Vale destacar que, a apesar da gafe, a campanha do peemedebista foi bastante exitosa na cidade. Este ano o líder bacurau foi o senador mais votado em Grossos (4.233 votos), conseguindo unir em torno de seu nome situação e oposição, fato até o momento impensável dado o acirramento da política local.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Mudança de paradigma
No entanto, com o passar do tempo as referências do grupo que governou o município entre 2001 e 2004 mudaram radicalmente. De um extremo a outro, o ex-prefeito condicionou sua história às circunstâncias do poder e trilhou caminho rumo a ala mais conservadora da política do estado.
Sem qualquer constrangimento, o fundador do PT grossense posa com desenvoltura na companhia de José Agripino, inimigo político do melhor presidente do país. Numa espantosa relação de afinidade, descoberta há pouco na campanha de 1º turno, os dois líderes trocaram afagos ao discursar, parecendo amigos de longa data.
Mas como explicar tamanha cumplicidade entre políticos de origem partidária tão diversa? Fácil! Basta uma metáfora aqui, uma frase de efeito acolá e pronto! Tudo resolvido. Afinal, as pessoas vão entender que como “as cordas de um violão, que mesmo separadas tocam uma só melodia,” João Dehon e José Agripino agora têm muita coisa em comum.
O esforço é tão grande em parecer confiável aos novos aliados que o líder republicano local sequer se manifestou acerca da campanha presidencial. Para não contrariar o DEM, preferiu a omissão. Por tudo isso, não seria absurdo supor o apoio ao candidato tucano para melhor se entrosar no ninho governista estadual.
Lamentável, mas são os fatos. É a luta do poder pelo poder, um vale-tudo que dispensa escrúpulos na política. E pensar que o pequeno lar petista de Grossos abrigou tantos sonhos de transformação. Uma pena, pois quase todos sucumbiram às conveniências da política provinciana, deixando para trás qualquer vestígio de retidão e coerência.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Formação política
*Dilma Roussef, presidente eleita do Brasil.
Amanhã : um novo tempo, uma nova utopia
Seremos todos iguais. Estaremos prontos para embarcarmos
Na locomotiva que nos levará a estação de um tempo novo.
Amanhã,
Apesar de hoje, nos veremos para juntos pavimentarmos todas
As estradas que nos levarão para uma tarefa de exercício da cidadania.
Amanhã,
Os filhos teus Brasil, não fugirão à luta. Homens e mulheres de todas as religiões,
De todos os credos partilharão desse novo sentimento de construção de uma pátria
Onde todos possam sonhar em ter vida em abundância.
Amanhã,
O riso mais ingênuo dos mocambos, das favelas, do universo da periferia aguarda a sua
Decisão apontando para uma perspectiva de mais distribuição de renda,mais justiça social
E mais solidariedade humana.
Amanhã,
Mais nenhum mistério por mais que pareça porque a fome que ainda insiste em continuar
Matando não deixou de ser a dor de todos nós....E você é responsável!!!!!!!
Amanhã,
Quando o silêncio exigir de sua consciência uma manifestação de carinho e de ternura para
Com todos os compatriotas , seja você , amigo, um protagonista dessa festa.
Amanhã,
Na sua altivez,seja convidado para celebrar conosco a festa da
D E M O C R ACIA.*
*Por Genildo Costa, cantor e compositor, apresentador do programa "Cultura dos Monxorós" da Rádio Rural de Mossoró.
Dilma: o enterro da política feita nas sombras
Por Rodrigo Vianna do blog Escrevinhador.
A vitória de Dilma significa a vitória de lutas que vêm de longe, como eu já escrevi aqui.
A vitória de Dilma é a vitória de Lula e de um projeto que aposta na inclusão. É a continuidade de um governo que teve atuação marcante em quatro eixos, pelo menos:
- criação de um mercado consumidor de massas (recuperação do salário-mínimo, do salário do funcionalismo, Bolsa-Familia, política mais agressiva e popular de crédito) – teve papel fundamental no enfrentamento da crise econômica mundial, porque o Brasil deixou de depender só das exportações e pôde basear sua recuperação no mercado interno;
- respeito aos movimentos sociais – parceria com sindicatos, diálogo com as centrais, com o MST;
- recuperação do papel do Estado – fim das privatizações, valorização do funcionalismo, novos concursos públicos, recuperação do papel planejador do Estado (por exemplo, no campo da energia), fortalecimento dos bancos públicos (não mais como financiadores de privatizações suspeitas, mas como indutores do desenvolvimento);
- política externa soberana – enterro da Alca, criação da UNASUL, valorização de parcerias com China, India, Irã; fim do alinhamento com os EUA.
Dilma significa que isso tudo pode seguir. Mas a campanha mostrou que há pelo menos uma área onde o governo Lula errou, por timidez: política de Comunicação. Durante a reta final do primeiro turno, o Brasil voltou a ficar refém de quatro ou cinco famílias que ditam a pauta do Brasil. Os blogs e um ou outro meio tradiconal ofereceram certo contraponto. Mas foi pouco. No segundo mandato, com Franklin Martins, Lula mostrou que é possível avançar muito mais nessa área!
A vitória de Dilma significa também a derrota de muita coisa. Derrota do preconceito e do ódio expressos em mensagens apócrifas, derrota de quem acredita que se ganha eleição misturando política e religião – de forma desrespeitosa e obscurantista.
Dilma no poder significa a derrota de Ali Kamel e seu pornográfico jornalismo de bolinhas na “Globo”. Significa a derrota de Otavinho e suas fichas falsas na “Folha”. Significa a derrota da Abril e de seus blogueiros/colunistas de esgoto.
Dilma é a derrota da extrema-direita que espalhou boatos, fotos falsas, montagens grosseiras e – quando desmascarada – saiu correndo (apagando sites, vestígios, provas).
A vitória de Dilma é a derrota da maior máquina ideológica conservadora montada no Brasil desde o golpe de 64. Essa máquina mostrou sua cara na campanha – unindo a Opus Dei, o Vaticano e o que restou da comunidade de informações a essa turma “profisional” que espalhou emails, calúnias, spams (e atacou até blogs progressistas na calada da noite).
A consagração de Dilma significa a derrota de um candidato covarde: não teve coragem de mostrar FHC na campanha, fingiu ser amigo de Lula e, no desespero, usou aborto e a própria mulher para ataques lamentáveis…
Dilma é a derrota de uma política feita nas sombras, nos telefonemas para as redações, nos dossiês. Dilma significa a vitória de um projeto generoso, e o enterro de uma determinada oposição.
Quem torce pela democracia torce também para que uma nova oposição – séria e democrática – prospere, longe dos dossiês e da truculência serrista. Na próxima semana, teremos tempo para pensar a fundo no que pode vir de uma oposição renovada, quais os movimentos possíveis…
Mas acho que não devemos ter ilusão. Serra tirou da garrafa a extrema-direita. O tipo de campanha feita por ele, e que obteve mais de 40% dos votos, mostra que essa máquina conservadora está à espreita. E pode voltar a atacar. Os colunistas e os chefetes ressentidos – em certa imprensa pornográfica – seguirão a agir nas sombras.
Caberá a nós lançar cada vez mais luz sobre as manobras dessa gente. Derrotada pelo voto e pela força do povo brasileiro.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Frei Betto: Dilma e a fé cristã
Conheço Dilma Rousseff desde criança. Éramos vizinhos na rua Major Lopes, em Belo Horizonte. Ela e Thereza, minha irmã, foram amigas de adolescência. Anos depois, nos encontramos no presídio Tiradentes, em São Paulo. Ex-aluna de colégio religioso, dirigido por freiras de Sion, Dilma, no cárcere, participava de orações e comentários do Evangelho. Nada tinha de "marxista ateia".
Nossos torturadores, sim, praticavam o ateísmo militante ao profanar, com violência, os templos vivos de Deus: as vítimas levadas ao pau-de-arara, ao choque elétrico, ao afogamento e à morte.
Em 2003, deu-se meu terceiro encontro com Dilma, em Brasília, nos dois anos em que participei do governo Lula. De nossa amizade, posso assegurar que não passa de campanha difamatória - diria, terrorista - acusar Dilma Rousseff de "abortista" ou contrária aos princípios evangélicos. Se um ou outro bispo critica Dilma, há que se lembrar que, por ser bispo, ninguém é dono da verdade.
Nem tem o direito de julgar o foro íntimo do próximo. Dilma, como Lula, é pessoa de fé cristã, formada na Igreja Católica. Na linha do que recomenda Jesus, ela e Lula não saem por aí propalando, como fariseus, suas convicções religiosas. Preferem comprovar, por suas atitudes, que "a árvore se conhece pelos frutos", como acentua o Evangelho.
É na coerência de suas ações, na ética de procedimentos políticos e na dedicação ao povo brasileiro que políticos como Dilma e Lula testemunham a fé que abraçam. Sobre Lula, desde as greves do ABC, espalharam horrores: se eleito, tomaria as mansões do Morumbi, em São Paulo; expropriaria fazendas e sítios produtivos; implantaria o socialismo por decreto...
Passados quase oito anos, o que vemos? Um Brasil mais justo, com menos miséria e mais distribuição de renda, sem criminalizar movimentos sociais ou privatizar o patrimônio público, respeitado internacionalmente.
Até o segundo turno, nichos da oposição ao governo Lula haverão de ecoar boataria e mentiras. Mas não podem alterar a essência de uma pessoa. Em tudo o que Dilma realizou, falou ou escreveu, jamais se encontrará uma única linha contrária ao conteúdo da fé cristã e aos princípios do Evangelho.
Certa vez indagaram a Jesus quem haveria de se salvar. Ele não respondeu que seriam aqueles que vivem batendo no peito e proclamando o nome de Deus. Nem os que vão à missa ou ao culto todos os domingos. Nem quem se julga dono da doutrina cristã e se arvora em juiz de seus semelhantes.
A resposta de Jesus surpreendeu: "Eu tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; estive enfermo e me visitastes; oprimido, e me libertastes..." (Mateus 25, 31-46). Jesus se colocou no lugar dos mais pobres e frisou que a salvação está ao alcance de quem, por amor, busca saciar a fome dos miseráveis, não se omite diante das opressões, procura assegurar a todos vida digna e feliz.
Isso o governo Lula tem feito, segundo a opinião de 77% da população brasileira, como demonstram as pesquisas. Com certeza, Dilma, se eleita presidente, prosseguirá na mesma direção. *
*Extraído do blog do Miro (www.altamiroborges.blogspot.com)
Uma lembrança para Marina Silva
Acho que é o caso de lembrar a Marina de onde ela estava em abril do ano 2.000.
No dia 22 de abril de 2.000 ela estava na estrada que liga Santa Cruz de Cabrália a Porto Seguro, junto com 3.600 indígenas, de mais de 180 povos, militantes do movimento negro, quilombolas, militantes do MST, estudantes, mulheres, militantes de inúmeros movimentos populares e sindicais, talvez mais de 10 mil ao todo, de todo o Brasil.
Ela tinha falado no Quilombo, que era o acampamento coletivo, no dia anterior, para alguns destes milhares de militantes.
No dia 22 de abril, logo pela manhã, foi desatada a repressão sobre todos e todas.
O Fernando Henrique estava na Cidade Alta de Porto Seguro, comemorando com o Presidente de Portugal.
Na estrada, a policia do Antonio Carlos Magalhães e as tropas do FHC jogavam bombas de gás, arrastavam negros pelos cabelos, espancavam indígenas e prendiam estudantes. Havia helicópteros e lanchas da Marinha no cerco.
Um indígena se jogou no chão da estrada, em frente dos soldados, que passaram por cima dele.
Encontrei a Marina com sua assessora Áurea, perdidas na estrada, escutando bombas e tiros próximos.
Coloquei as duas no meu carro, para escapar dali protegendo-as. Dentro do carro, a Marina falou calmamente que, se respirasse aquele gás, poderia morrer. Virei o carro para pegar um caminho de terra e ir em direção da praia. Ela pediu que não fosse, porque tinha visto soldados irem para a praia perseguindo estudantes.
Voltei com o carro prá estrada e levei a Marina até local seguro, longe da repressão e das bombas. Emocionado porque, segundo a nossa Senadora, eu talvez tivesse acabado de salvar sua vida.
Acho bom ela lembrar deste episódio neste momento, para pensar de que lado ela sempre esteve, e de que lado deve estar agora.
Um abraço fraterno*
* Extraído do blog do Miro (www.altamiroborges.blogspot.com).